TikTok sob pressão: Ministério da Justiça dá 5 dias para plataforma explicar vídeos de violência contra a mulher

Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação

Imagem: Gerada por IA | Gemini


O Ministério da Justiça e Segurança Pública colocou o TikTok contra a parede. O motivo é a propagação de vídeos sob a etiqueta "Caso ela diga não", que ganharam força em março de 2026. O que parece ser apenas mais um "desafio" de internet, na verdade, esconde uma apologia direta ao crime contra a mulher.


O que é a "trend" e por que ela é perigosa?

Os vídeos seguem um roteiro padrão: jovens simulam reações violentas após serem rejeitados por uma mulher. Utilizando manequins, os criadores de conteúdo encenam socos, pontapés e até o uso de armas de fogo. O grande problema é a naturalização da violência: o conteúdo ensina que a agressão é uma resposta aceitável para o fim de um relacionamento ou uma negativa afetiva.


A pressão do Governo e da Polícia Federal

O governo brasileiro deu um prazo de cinco dias úteis para a rede social se manifestar. A investigação quer saber:

·        Falha no Algoritmo: Por que o sistema de inteligência artificial do TikTok, que barra imagens de nudez quase instantaneamente, permitiu que vídeos de simulação de assassinato circulassem livremente?

·        Lucro com a Violência: O governo exige saber se os perfis que criaram esses vídeos ganharam dinheiro com as visualizações. Se houve lucro, a plataforma pode ser acusada de lucrar sobre o discurso de ódio.

·        Identificação: A Polícia Federal quer os dados dos responsáveis pelas postagens para que respondam criminalmente por incitação ao crime.


O Contexto Social

Num país onde ocorrem cerca de quatro feminicídios por dia, as autoridades tratam o caso como uma questão de segurança pública. A ideia é que, se o mundo digital não tiver regras claras, as simulações de hoje podem tornar-se os crimes de amanhã.

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